Energia e ambiente em cinco indicadores
Esta sequência mostra, um indicador por vez, como os países se distribuem em emissões de CO2, uso de energia, participação de renováveis, acesso à eletricidade e cobertura florestal. Cada quadro traz o ranking, o valor e a posição do Brasil e a evolução da série ao longo dos anos. Todos os dados vêm do World Development Indicators do Banco Mundial.
| CO2 emissions per person | 95 | Brasil emite 2,3183 t de CO2 por habitante, na 95ª posição entre 203 |
| Energy use per person | 102 | O uso de energia no Brasil é de 1.511,6238 kg por habitante, 102º entre 179 |
| Renewable energy share | 53 | 46,5% do consumo final de energia do Brasil vem de fontes renováveis, 53º entre 212 |
| Access to electricity | 131 | O acesso à eletricidade no Brasil chega a 99,8% da população |
| Forest area | 29 | As florestas cobrem 58,9819% do território brasileiro, 29º entre 214 |
Verifique sempre o sentido do ranking: em CO2 e uso de energia o 1º lugar é de quem tem o menor valor, enquanto em renováveis, eletricidade e floresta o 1º é de quem tem o maior. Não compare quadros entre si — as unidades (t, kg, %), o número de países e o ano de referência mudam de um indicador para outro.
Pontos principais
Entre os cinco indicadores desta edição, o Brasil aparece do lado favorável em quase todos, mas por motivos diferentes. As emissões de CO2 por habitante são de 2,3183 t, o que coloca o país na 95ª posição entre 203 países e territórios — e vale lembrar que, neste indicador, o 1º lugar é de quem emite menos, de modo que o Brasil fica logo abaixo do meio da tabela e em cerca de metade da média mundial de 4,6933 t. A participação de renováveis no consumo final de energia, 46,5%, é mais que o dobro da média mundial de 19,7356% e rende a 53ª colocação entre 212 países. Já a cobertura florestal, de 58,9819% do território (29º lugar entre 214), continua bem acima da média mundial de 31,143%, mas é o único indicador da série que recua de forma contínua, de 60,8392% em 2012 para o valor atual; o acesso à eletricidade, em 99,8%, praticamente não deixa margem de avanço.
*Fonte: Banco Mundial, World Development Indicators — EN.GHG.CO2.PC.CE.AR5, EG.FEC.RNEW.ZS, AG.LND.FRST.ZS e EG.ELC.ACCS.ZS.*
O valor mais recente do indicador central
O indicador que abre a série é a emissão de CO2 por habitante, excluída a parcela de uso da terra. O valor brasileiro é de 2,3183 t em 2024, na 95ª posição entre 203 países e territórios. Antes de interpretar essa posição, é preciso fixar o sentido do ranking: aqui o 1º lugar pertence a quem emite menos, e não a quem emite mais. Assim, 94 economias emitem menos que o Brasil por habitante e o país fica pouco abaixo do centro da lista. Frente ao mundo, a comparação é favorável: a média mundial é de 4,6933 t, ou seja, cerca de duas vezes o valor brasileiro. O mesmo padrão aparece no uso de energia, de 1.511,6238 kg equivalentes de petróleo por habitante, abaixo da média mundial de 1.866,1646 kg — ainda que a posição, 102ª entre 179, mostre que a maior parte dos países consome menos por pessoa que o Brasil, já que a média mundial é puxada por um grupo pequeno de consumidores muito intensos.
*Fonte: Banco Mundial, WDI — "Carbon dioxide (CO2) emissions excluding LULUCF per capita (t CO2e/capita)" e "Energy use (kg of oil equivalent per capita)".*
Quem está no topo e na base
No extremo de menores emissões por habitante estão Nauru e Tuvalu (0,0 t), Guam e Micronésia (0,0018 t), Ilhas Virgens Americanas (0,0019 t), Somália (0,0455 t) e Congo-Kinshasa (0,0568 t): pequenos territórios insulares e países de baixa renda, cujos valores dependem muito do tratamento estatístico e do tamanho reduzido da população. No extremo oposto aparecem Palau (82,8426 t), Catar (47,3322 t), Barein (23,9 t), Kuwait (23,6727 t), Brunei (20,2427 t) e Trinidad e Tobago (19,5811 t) — economias de pequeno porte com forte peso de petróleo e gás. O Brasil, com 2,3183 t, está claramente mais próximo da metade de menores emissões: o valor equivale a menos de 3% do registrado em Palau e a cerca de 12% do de Trinidad e Tobago, o vizinho sul-americano no outro extremo da lista. O uso de energia repete os mesmos nomes na ponta de maior consumo — Catar (16.343,0404 kg), Islândia (15.996,6796 kg), Trinidad e Tobago (10.590,4282 kg) e Barein (10.511,613 kg) — enquanto Lesoto (9,7273 kg), Timor-Leste (60,7032 kg) e Guiné-Bissau (65,4727 kg) ocupam a ponta de menor consumo. Nas renováveis, a liderança é de Congo-Kinshasa (96,3%), Somália (95,4%) e Libéria (92,8%), e a base reúne Catar, Barein e Brunei (0,0%) e Arábia Saudita, Kuwait e Omã (0,1%). Na cobertura florestal, o topo é vizinho do Brasil: Suriname (94,4476%), seguido de Micronésia (92,1571%), Gabão (91,1824%) e Guiana (87,0878%).
*Fonte: Banco Mundial, WDI — EN.GHG.CO2.PC.CE.AR5, EG.USE.PCAP.KG.OE, EG.FEC.RNEW.ZS e AG.LND.FRST.ZS.*
O que mudou na última década
As emissões brasileiras por habitante passaram de 2,6374 t em 2013 para 2,3183 t em 2024, uma queda de 0,3191 t (cerca de 12%). O caminho não foi linear: o menor valor da série é o de 2020 (2,1466 t), seguido de alta para 2,4158 t em 2021 e de leve recuo nos anos seguintes. O uso de energia por habitante seguiu trajetória distinta: 1.487,4575 kg em 2013, mínimo de 1.379,2465 kg em 2020 e recuperação contínua desde então, até 1.511,6238 kg em 2024 — 24,2 kg acima do início da série, ou cerca de 1,6%. A participação de renováveis oscilou entre 41,7% em 2014 e 50,0% em 2020, terminando em 46,5% em 2021, praticamente no mesmo patamar de 46,8% registrado em 2010. O acesso à eletricidade subiu de 99,5% em 2012 para 99,8%, tendo alcançado 100,0% em 2022. A cobertura florestal é a única série com movimento em uma só direção: caiu ano após ano, de 60,8392% em 2012 para 58,9819% em 2023, perda de 1,8573 ponto percentual no período.
*Fonte: Banco Mundial, WDI — séries anuais de EN.GHG.CO2.PC.CE.AR5, EG.USE.PCAP.KG.OE, EG.FEC.RNEW.ZS, EG.ELC.ACCS.ZS e AG.LND.FRST.ZS.*
Comparação com países próximos
Contra as grandes economias, a distância é grande em emissões: o Brasil emite 2,3183 t por habitante, contra 13,6196 t dos EUA (5,9 vezes mais), 11,3623 t da Coreia do Sul, 9,3151 t da China, 7,8424 t do Japão, 6,944 t da Alemanha, 4,2241 t do Reino Unido e 4,0036 t da França — mesmo o menor desse grupo emite cerca de 1,7 vez o valor brasileiro. No uso de energia, o Brasil (1.511,6238 kg) fica abaixo do Reino Unido (2.071,0233 kg), da Alemanha (2.824,5901 kg), da China (2.850,9415 kg), do Japão (3.005,899 kg), da França (3.184,7895 kg), da Coreia do Sul (5.438,7904 kg) e dos EUA (6.359,4398 kg). A vantagem mais nítida está nas renováveis: os 46,5% brasileiros superam com folga Alemanha (17,6%), França (16,2%), China (15,2%), Reino Unido (12,2%), EUA (10,9%), Japão (8,8%) e Coreia do Sul (3,6%) — mais de duas vezes e meia o melhor desse grupo. Na região, Trinidad e Tobago aparece no extremo oposto em emissões (19,5811 t) e em uso de energia (10.590,4282 kg), enquanto Suriname (94,4476%) e Guiana (87,0878%) mantêm proporção florestal superior à brasileira. Em floresta, o Brasil (58,9819%, 29º) fica atrás de Japão (68,3958%) e Coreia do Sul (64,1086%), mas bem à frente de EUA (33,8669%), Alemanha (32,6789%), França (32,4765%), China (24,0319%) e Reino Unido (13,2907%). No acesso à eletricidade, Brasil (99,8%) e Argentina (100,0%) estão praticamente no mesmo ponto que os sete países de referência, todos com 100,0%.
*Fonte: Banco Mundial, WDI — EN.GHG.CO2.PC.CE.AR5, EG.USE.PCAP.KG.OE, EG.FEC.RNEW.ZS, AG.LND.FRST.ZS e EG.ELC.ACCS.ZS.*
Como ler estes números
Cada indicador tem uma convenção própria e convém não misturá-las. Em CO2 e uso de energia, o 1º lugar é de quem registra o menor valor; em renováveis, floresta e acesso à eletricidade, o 1º lugar é de quem registra o maior. A série de CO2 exclui o uso da terra, mudança do uso da terra e florestas (LULUCF) e adota o critério de produção, ou seja, as emissões associadas a bens importados não entram na conta do país que os consome. O uso de energia é medido em quilogramas equivalentes de petróleo de oferta primária e responde fortemente à estrutura produtiva, ao clima e às dimensões do território. A participação de renováveis se refere ao consumo final de energia e tende a ser alta também em países que ainda dependem de biomassa tradicional, o que sugere cautela ao comparar realidades muito distintas. A proporção de floresta é calculada sobre a área terrestre, de modo que seu significado muda conforme o tamanho do país. No acesso à eletricidade, um grande número de países está empatado em 100,0%, e diferenças de posição nessa faixa não indicam desempenho melhor ou pior. Por fim, os anos de referência não coincidem: 2024 para CO2 e energia, 2023 para acesso à eletricidade e floresta, e 2022 para renováveis, cuja série histórica disponível vai apenas até 2021 — não se trata, portanto, de uma fotografia de um único ano, e todos os valores passam por estimativas e ajustes para permitir comparação internacional, com atualização anual.
*Fonte: Banco Mundial, World Development Indicators — notas metodológicas das séries EN.GHG.CO2.PC.CE.AR5, EG.USE.PCAP.KG.OE, EG.FEC.RNEW.ZS, EG.ELC.ACCS.ZS e AG.LND.FRST.ZS.*
Emissões de CO2 per capita no mapa e em gráficos
| Posição | País / território | t |
|---|---|---|
| 1 | Nauru | 0 |
| 2 | Tuvalu | 0 |
| 3 | Guam | 0 |
| 4 | Micronésia | 0 |
| 5 | Ilhas Virgens Americanas | 0 |
| 93 | Índia | 2.17 |
| 94 | Bolívia | 2.29 |
| 95 | Brasil | 2.32 |
| 96 | Ilhas Virgens Britânicas | 2.33 |
| 97 | Armênia | 2.47 |
| 201 | Barein | 23.9 |
| 202 | Catar | 47.33 |
| 203 | Palau | 82.84 |
No topo aparecem Nauru e Tuvalu (0,0 t) e Guam (0,0018 t), pequenos territórios com população reduzida; na outra ponta estão Palau (82,8426 t), Catar (47,3322 t) e Barein (23,9 t). O Brasil, com 2,3183 t, fica bem mais perto do grupo de menores emissões.
A linha mostra queda de 2,6374 t em 2013 para 2,3183 t em 2024, com mínimo de 2,1466 t em 2020 e repique para 2,4158 t em 2021. As barras deixam claro o tamanho da dispersão: entre o Brasil e Palau há uma diferença de mais de trinta vezes.
Comparar países
Consumo de energia per capita
| Posição | País / território | kg equiv. petróleo |
|---|---|---|
| 1 | Lesoto | 9.73 |
| 2 | Timor-Leste | 60.7 |
| 3 | Guiné-Bissau | 65.47 |
| 4 | Comores | 66.46 |
| 5 | Sudão do Sul | 68.66 |
| 100 | Iraque | 1,506 |
| 101 | Ucrânia | 1,508 |
| 102 | Brasil | 1,512 |
| 103 | Hong Kong | 1,518 |
| 104 | Geórgia | 1,530 |
| 177 | Trinidad e Tobago | 10,590 |
| 178 | Islândia | 15,997 |
| 179 | Catar | 16,343 |
A ponta de menor consumo reúne Lesoto (9,7273 kg), Timor-Leste (60,7032 kg) e Guiné-Bissau (65,4727 kg); a de maior consumo traz Catar (16.343,0404 kg), Islândia (15.996,6796 kg) e Trinidad e Tobago (10.590,4282 kg). O Brasil aparece na faixa intermediária.
Depois do mínimo de 1.379,2465 kg em 2020, a série sobe de forma contínua até 1.511,6238 kg em 2024, acima dos 1.487,4575 kg de 2013. As barras vão de menos de 10 kg a mais de 16.000 kg por habitante.
Quota de energias renováveis
| Posição | País / território | % |
|---|---|---|
| 1 | Congo - Kinshasa | 96.3 |
| 2 | Somália | 95.4 |
| 3 | Libéria | 92.8 |
| 4 | Gabão | 91.3 |
| 5 | República Centro-Africana | 90.9 |
| 51 | Sri Lanka | 48.8 |
| 52 | Gâmbia | 47.7 |
| 53 | Brasil | 46.5 |
| 54 | Honduras | 45.9 |
| 55 | Letônia | 44 |
| 210 | Gibraltar | 0 |
| 211 | Catar | 0 |
| 212 | Sint Maarten | 0 |
Lideram Congo-Kinshasa (96,3%), Somália (95,4%) e Libéria (92,8%), onde pesa muito a biomassa tradicional; no fim da lista estão Catar, Barein e Brunei com 0,0%. O Brasil ocupa posição alta entre as economias de grande porte.
A linha oscila entre 41,7% em 2014 e 50,0% em 2020, terminando em 46,5% em 2021, perto dos 46,8% de 2010. A distância entre extremos vai de 0,0% a 96,3%, o maior intervalo relativo da série.
Acesso à eletricidade
Argentina, Austrália, Áustria e muitos outros aparecem com 100,0%, enquanto Sudão do Sul (5,4%), Burundi (11,6%) e Chade (12,0%) fecham a lista. O Brasil está junto do grupo do topo, praticamente sem margem de avanço.
A linha sobe de 99,5% em 2012 para 99,8% em 2023, com 100,0% em 2022 — variação pequena diante da diferença de mais de 90 pontos que separa os países dos dois extremos do gráfico.
Área florestal (% do território)
| Posição | País / território | % |
|---|---|---|
| 1 | Suriname | 94.45 |
| 2 | Micronésia | 92.16 |
| 3 | Gabão | 91.18 |
| 4 | Palau | 90.54 |
| 5 | Ilhas Salomão | 90.06 |
| 27 | Costa Rica | 60.4 |
| 28 | Zâmbia | 59.52 |
| 29 | Brasil | 58.98 |
| 30 | Ilhas Virgens Americanas | 58.17 |
| 31 | Malásia | 57.72 |
| 212 | Mônaco | 0 |
| 213 | Nauru | 0 |
| 214 | Catar | 0 |
O topo é liderado pelo vizinho Suriname (94,4476%), seguido de Micronésia (92,1571%) e Gabão (91,1824%); na base estão Catar, Nauru, Mônaco e Gibraltar com 0,0%. O Brasil fica atrás de Japão (68,3958%) e Coreia do Sul (64,1086%), à frente de EUA (33,8669%).
É a única série que se move em uma só direção: queda ano após ano, somando 1,8573 ponto percentual entre 2012 e 2023. Como a medida é proporcional à área terrestre, países de tamanhos muito diferentes aparecem lado a lado nas barras.